Os avanços no tratamento do autismo pela medicina

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A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, aproximadamente, 1% da população mundial (cerca de 70 milhões de pessoas) seja autista. Por aqui, no Brasil, a partir do Censo 2020 teremos informações mais precisas sobre a incidência dessa condição. Também chamada de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), sabe-se que a doença afeta a comunicação, a socialização e o comportamento. Porém, entender suas causas  tem sido complexo — não por acaso, seu símbolo é o quebra-cabeça.

Neste artigo, com participação da Dra. Andrea Baumgarten, estudiosa do assunto, com a formação internacional em medicina funcional da Aqua Vitae, mostraremos importantes avanços em relação ao tratamento do autismo. Continue a leitura e veja como uma abordagem multidisciplinar ajuda a amenizar os efeitos do transtorno e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

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Como é feito o diagnóstico do transtorno?

O autista pode ter diferentes níveis de atrasos cognitivos, apresentando sintomas leves, moderados ou graves. Quando leve, afeta, sutilmente, a forma de se relacionar e comunicar. Já nos estágios mais graves, pode implicar na dependência completa, inclusive para realizar tarefas básicas.

Para determinar a presença do transtorno, o diagnóstico se baseia, principalmente, em conversas e observações clínicas. Exames laboratoriais servem mais para afastar a hipótese de doenças em comorbidade. Exames genéticos são importantes para afastar Síndrome do X frágil ou alterações no cariótipo que são causas genéticas bem documentadas para o transtorno. 

Como a medicina tem avançado no tratamento?

A medicina considera que o autismo decorre tanto de fatores genéticos como epigenéticos (condições do ambiente que interferem no DNA). “O transtorno é fruto de uma desordem complexa, de importante base imunológica, agravada por fatores ambientais e alguma predisposição genética”, afirma Dra. Andrea. 

Estudos mostram que desordens neurológicas e imunológicas estão, intimamente, ligadas ao autismo. Por isso, em um primeiro momento, os tratamentos visam combater a neuroinflamação ao mesmo tempo em que melhoram a resposta  imunológica.

Temos muitas publicações no campo nutricional e imunológico, e dieta específica individualizada, doses de ômega 3, vitamina D, vitamina A são tratamentos já recomendados praticados por parte dos profissionais (o conhecimento demora a chegar a todos, e estes estudos são muito recentes). 

Outros tratamentos com imunossupressores e corticosteroides podem ser utilizados em casos de PANDAS ou PANS, e o transplante fecal aponta como uma opção terapêutica para o futuro próximo, porém ainda mais estudos são necessário para mostrar sua eficácia e segurança. 

Quais são os fatores associados já identificados?

Segundo a médica, diversos fatores já são conhecidos. A boa notícia é que a maioria deles é modificável, porém vale lembrar que a vulnerabilidade destas crianças é aumentado. São exemplos:

  • deficiência de vitamina D e outros nutrientes (magnésio, folato, zinco, entre outras);
  • excesso de tóxicos, como herbicidas, pesticidas, ftalatos e hormônios no dia a dia;
  • intoxicação por metais pesados (presentes em amálgamas, por exemplo);
  • alteração da microbiota intestinal ou oral;
  • disfunção gastrointestinal com alergias alimentares e doenças intestinais;
  • eletromagnetismo, mais conhecido como “intoxicação digital”;
  • deficiências hormonais;
  • estresse materno e infantil;
  • infecções bacterianas, principalmente do gênero Streptococcus;
  • alergias e sensibilidades ambientais e alimentares.

“Esses fatores abalam a maturação imunológica e neurológica da criança, levando à neuroinflamação. Mas o mais importante é que esse quadro é tratável, principalmente se abordado de maneira precoce”, esclarece.

Como é o tratamento do autismo?

Uma vez que os fatores ambientais (causadores das disfunções imunológicas) estão relacionados ao autismo, deve-se potencializar os tratamentos que fortalecem as células de defesa. Com isso, as disfunções imunitárias são reduzidos.

Uma possibilidade é a suplementação de vitamina D. “Quando associada ao Ômega 3, ela melhora a hiperatividade e irritabilidade em crianças. Isso com uma dose relativamente baixa, de 2.000 UI e 720 mg de DHA”, exemplifica.

Na prática, quanto mais áreas (neurologia, psiquiatria, psicologia, pedagogia, fonoaudiologia, fisioterapia, etc) estiverem envolvidas no tratamento do autismo, melhor. Mas, além de integrativa, a abordagem precisa ser individualizada, pois as particularidades de cada paciente, em relação aos sintomas, déficits no desenvolvimento e doenças associadas, devem ser consideradas, de modo a determinar as melhores estratégias de intervenção.

Para saber mais, agende uma visita à clínica Aqua Vitae, em Florianópolis. Descubra como a Dra. Andrea, apoiada por uma equipe multidisciplinar, pode ajudar no tratamento de pacientes com autismo!

Escrito por:
Dra. Andrea Baumgarten
CRM 19.466 | RQE 14.022

Formada em medicina pela UFSC, é especialista em clínica médica, pelo Hospital Regional de São José, e concluiu sua formação em Medicina Funcional, pelo The Institute for Functional Medicine. Seu interesse é focado na atenção integral, no uso racional das medicações e no tratamento compartilhado entre paciente e médico. Saiba mais sobre a Dra. Andrea.