Está se sentindo mal no trabalho? Fique atento aos sinais e saiba reduzir o estresse

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Sabe aquela história de que os boletos são o melhor incentivo para levantar e encarar a jornada de trabalho? Muitas pessoas, infelizmente, encontram-se em um emprego que não gera outra satisfação além de conseguir pagar as contas. Até aí, faz parte. O que não é aceitável é se sentir mal cada vez que a semana se inicia. Mas nem sempre é necessária uma mudança de carreira e reduzir o estresse pode ser muito mais simples!

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Neste artigo, a psicóloga Adriana Bolis e a médica Andrea Baumgarten explicam como a saúde é afetada pelo estresse e abordam aspectos importantes da qualidade de vida no trabalho para você identificar como pode melhorar a sua rotina profissional!

3 critérios para avaliar a qualidade de vida no trabalho

“Trabalhe com o que você ama e nunca terá que trabalhar”, diz o ditado. Ainda que nem todos realizem esse sonho, todo tipo de ocupação deve gerar gratificação. Isso porque o trabalho é importante para se sentir útil e socialmente inserido.

A psicoterapia pode ser uma grande aliada para quem está passando por crises no trabalho e foca bastante no autoconhecimento para identificar pontos de estresse. Para isso, é necessário considerar 3 fatores, que se inter-relacionam, para avaliar a relação de uma pessoa com o seu trabalho, explica Adriana Bolis. A psicóloga enumera quais são:

  • Condições de trabalho: relacionadas ao ambiente, pressão, relações interpessoais, a jornada de trabalho, as ferramentas de trabalho, etc…
  • Identificação com o trabalho: relacionada à correspondência do trabalhador com a tarefa que exerce, com os valores da empresa e com o ambiente de trabalho.
  • Realização profissional: tange desde as necessidades mais básicas, como a segurança, e aspectos financeiros até as necessidades de reconhecimento e expressão de seus talentos.

“Cada uma dessas esferas se contribuem, se retroalimentam, se influenciam, para ter uma qualidade no trabalho. Por isso, é um tema bem complexo, sempre precisa se olhar individualmente, conhecer a história do paciente, e o ajudar a ter um nível melhor de autoconhecimento para que ele mesmo possa identificar onde está a fonte do seu estresse”, esclarece Adriana. A especialista em psicologia junguiana apresenta algumas perguntas que devem ser feitas por quem está refletindo sobre sua satisfação no trabalho:

  • Quais são as necessidades que eu busco realizar, atender com o trabalho?
  • Como eu gosto de trabalhar? Quais são as condições ideais para que eu possa realizar esse trabalho?
  • O que eu gosto de fazer, que faço bem e que atende a uma necessidade na sociedade?

Do ponto de vista fisiológico, também é necessário realizar uma investigação das causas e consequências do estresse. Continue lendo o artigo para entender como o estresse pode afetar o funcionamento saudável do seu corpo.

Por que é importante reduzir o estresse no trabalho?

A Dra. Andrea Baumgarten, especialista em Clínica Médica e formada na abordagem internacional de Medicina Funcional, pelo IFM da Aqua Vitae, explica que a medicina funcional e a psiquiatria podem ajudar muito em um quadro de estresse no trabalho. Um dos problemas de saúde mais comuns entre os trabalhadores é a Síndrome de Burnout, cujo sintomas mais característicos são o estresse, a fadiga crônica, a irritação, a falta de motivação e de autoestima.   

O distúrbio pode estar associado, ainda, a outras doenças, como hipertensão, diabetes, obesidade, além da depressão e da ansiedade. A médica acrescenta: “No Burnout, o excesso de estresse funciona como gatilho para doenças como câncer, doenças autoimunes, doenças neurodegenerativas e acelera o processo de envelhecimento.”

O estresse está relacionado ao desenvolvimento de uma série de doenças, relacionadas, sobretudo, pela liberação de cortisol, hormônio secretado pela glândula supra-renal. Este é o hormônio que ativa o instinto de fuga ou luta, necessário para a sobrevivência humana, mas, quando está desregulado, impacta várias áreas do corpo, como o cérebro, o sistema endócrino e o sistema imunológico.

A especialista explica como o estresse e o cortisol podem afetar a saúde em diferentes âmbitos do corpo.

Sistema imunológico

Dra. Andrea Baumgarten – O cortisol altera o sistema imunológico, porque ele deixa o corpo como se estivesse pronto para ser ferido. Primeiro, é preciso entender o ser humano em seus primórdios. Quando a gente tem uma situação de estresse, qualquer que seja, o corpo não consegue entender se é estresse mental ou emocional, ele entende que é um perigo para a sobrevivência. Então, ele vai secretar esse e vários outros hormônios, como as citocinas, que vão alterar o sistema imunológico, preparando o corpo para, se houver alguma lesão, reparar esse sangramento. Por isso, o estresse é a causa de uma inflamação silenciosa, não visível. E isso vai gradativamente alterando nosso sistema imunológico, deixando-nos mais propensos a desenvolver infecções, alergias, câncer entre outros.

Cérebro

Dra. Andrea Baumgarten – No cérebro, o cortisol produz uma atrofia do hipocampo, que é parte do cérebro responsável pela memória. Assim, no curto prazo pode provocar falta de memória, e no longo prazo o estresse está associado ao Alzheimer. O hipocampo é uma área do cérebro que está atrofiada no paciente com o mal de Alzheimer.

Sistema Endócrino:

Dra. Andrea Baumgarten – O cortisol envia um comando para o fígado para produzir mais açúcar, e o pâncreas libera maior quantidade de insulina. Assim, vai aumentando as chances de diabetes e o depósito de gordura ao redor da barriga, que é chamada de gordura visceral, a gordura mais prejudicial para a saúde cardiovascular”, exemplifica.

Para finalizar, a especialista faz um alerta: “Do ponto de vista médico, é importante avaliar esse paciente para ele saber tudo que acarreta o excesso de estresse, para fazer correções hormonais, para fazer a reestruturação do ciclo sono-vigília, e, principalmente, para o diagnóstico do Burnout, fazendo um aconselhamento para a pessoa poder sair daquele estado”.

 

Como reduzir o estresse no trabalho?

A maioria dos trabalhadores já percebeu — ainda bem — que não basta evitar condições insalubres para se sentir bem. É preciso buscar qualidade de vida no trabalho.

A primeira medida é buscar assistência especializada, mesmo quando não há um dano físico. Sempre vale a pena procurar orientação quando perceber sinais e sintomas de sofrimento psicológico. Outras atitudes que podem ajudar a reduzir o estresse no trabalho são:

  • meditar ou praticar atividades físicas com regularidade;
  • fazer psicoterapia;
  • aprender a lidar com a raiva positivamente, direcionando-a para atividades criativas;
  • ter um hobby não relacionado a sua atividade profissional;
  • gerenciar as tarefas e problemas do dia a dia, para não deixar tudo para a última hora, nem sofrer por antecipação;
  • conversar com o chefe ou com departamento de RH.
  • procurar um atendimento médico para o tratamento das comorbidades e do próprio burnout em seu aspecto físico

Da mesma maneira que cada caso pede um tratamento específico, a efetividade das medidas para reduzir o estresse varia de pessoa para pessoa.

Ficar sobrecarregado e descontente, vez ou outra, é normal. Mas fique atento aos sinais de quando o trabalho passa a ser prejudicial à saúde. Não é preciso esperar a sensação de insatisfação se tornar uma constante para tomar medidas para reduzir o estresse. Além disso, se você já apresenta algum sintoma mencionado no artigo, busque ajuda especializada. Sua vida pessoal e profissional agradecem!

 

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Escrito por:
Dra. Andrea Baumgarten
CRM 19.466 | RQE 14.022

Formada em medicina pela UFSC, é especialista em clínica médica, pelo Hospital Regional de São José, e concluiu sua formação em Medicina Funcional, pelo The Institute for Functional Medicine. Seu interesse é focado na atenção integral, no uso racional das medicações e no tratamento compartilhado entre paciente e médico. Saiba mais sobre a Dra. Andrea.