O que são as “abordagens” da Psicologia?

Resumidamente, a Psicologia é uma ciência e profissão que tem por objeto de estudo e intervenção os fenômenos psicológicos. Psico-logia: ciência da psique.

Psique é um termo derivado do grego psykhe que significava: sopro, alento, alma. Etimologicamente, portanto, Psicologia seria a ciência da alma.*Este é o ponto em comum nas diversas psicologias e, partindo dele, derivam as abordagens psicológicas.

Há formas variadas de compreender e intervir sobre a psique e é aí que surgem as diferenças entre as abordagens. As abordagens dizem respeito a construções teórico-práticas acerca dos fenômenos psicológicos. Poderíamos diferenciar as abordagens de acordo a três tópicos fundamentais: epistemologia, teoria e formas de intervenção.

  • Epistemologia: refere-se à teoria do conhecimento, visão de mundo e de homem, ou seja, qual corrente de pensamento ou filosófica que subsidia a teoria;
  • Teoria: derivadas da epistemologia, as teorias organizam uma visão acerca da psique, construindo conceitos sobre o homem, a vida, o sofrimento, o sentido da vida, a estrutura da psique, o comportamento humano, etc.
  • Intervenção: E, finalmente, com base nas construções teóricas, definem-se diretrizes para a intervenção, derivando nas práticas, na organização do setting terapêutico, na postura do terapeuta, no foco da intervenção: social, individual, grupal, esfera consciente, comportamental, inconsciente, simbólica, entre outros.

Existe abordagem certa ou errada?

Ademais, o leitor pode estar se perguntando: e qual abordagem está certa afinal? Ou qual é a melhor entre elas?

A resposta é que não há uma abordagem certa e outras erradas, ou uma melhor do que a outra. Assim como a psique nos demonstra que há muitas possibilidades de experiências psicológicas, também há muitas formas de compreendê-la.

Todos nós, de alguma maneira, conseguimos perceber a complexidade de nossa psique, uma ciência sobre ela não poderia ser diferente. Muitos e muito complexos são os fenômenos psicológicos, derivando nas diversas psicologias na tentativa de ampliar o olhar sobre estes fenômenos.

Entretanto, o que acontece no espaço-tempo da terapia é algo muito íntimo e verdadeiro, e neste momento não importa se seu terapeuta é um psicanalista ortodoxo ou um cognitivista. O encontro terapêutico releva as teorias para o segundo plano e fica em evidência a magia da relação humana e seu potencial transformador.

Gostaria de encerrar esse texto com as escusas pela tentativa de simplificar esse universo riquíssimo de possibilidades que a Psicologia nos apresenta e as negligências que possa ter cometido neste empreendimento.

Minha intenção é dividir com o leitor um pouco do fascínio que o tema provoca e compartilhar informações de forma que possamos, nós psicólogos, desmistificar e popularizar as discussões sobre temas de interesse comum, que por hora ficam tão restritos à academia.

*Os gregos utilizavam o termo psykhe ou alma referindo-se principalmente a um aspecto intermediário entre o corpo (Soma) e o espírito (Nous) e que compreendia basicamente os pensamentos e emoções. Alma e Espírito são portanto conceitos diferentes. Ainda assim, o termo “alma” é freqüentemente traduzido para referir-se à Espírito, sendo necessária a avaliação do contexto onde o termo é empregado para perceber o seu real significado.

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