O que é saúde mental?

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Saúde mental é muito mais do que a ausência de transtornos mentais, é ter a mente e o corpo saudáveis e com potencial plenos, integrados e proporcionando uma coerência entre aquilo que pensamos, sentimos e como agimos. Cuidar da mente, assim como se alimentar bem e realizar atividades físicas regulares, é considerado essencial para a qualidade de vida como um todo. Por outro lado, quando a saúde psíquica é comprometida, o corpo também sofre diretamente as consequências. Para entender melhor essa relação tão próxima entre nosso corpo, nossa mente e nossas emoções, acompanhe este  artigo.

Quando a saúde mental afeta o corpo?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para ser saudável é preciso equilibrar a saúde mental, física e social. Assim, no caso  da primeira estar comprometida, podem surgir as doenças psicossomáticas (de fundo emocional, mas que se manifestam fisicamente). Do mesmo modo, quando sua saúde física não está bem, provavelmente, sua saúde mental e suas emoções  serão diretamente afetadas.

A dificuldade que muitas pessoas enfrentam para tratar os quadros psicossomáticos está no fato de, muitas vezes, não saberem ou não perceberem essa relação tão estreita entre mente e corpo e também pelo estigma que ainda existe em procurar  um psiquiatra — ao menos em um primeiro momento. A maioria consulta inicialmente com um médico clínico, pois busca tratamento para os sintomas físicos, ignorando as causas emocionais, além de fugir do preconceito de que possa estar “maluco” ao fazer um atendimento psiquiátrico.

Nessa hora, se o profissional clínico não tiver um olhar amplo sobre a saúde do paciente, limitando-se aos resultados apresentados nos exames convencionais, dirá que ele não tem nada. O problema é que a pessoa continuará acometida pelos sintomas e, para complicar, há chances deles se agravarem pela angústia do paciente em não saber o que tem, não receber um diagnóstico correto e, assim, nenhum tratamento adequado.

Ou seja, o paciente não tem nada de origem física que esteja causando os seus sintomas (dores, paralisias, falta de ar, tonturas, vertigens, alergias, insônia, inapetência ou excesso de apetite e muitos outros), mas tem uma causa psíquica para estes sintomas, o que um médico psiquiatra se especializou para identificar e tratar corretamente.

Os psiquiatras não tratam somente de doenças em que a pessoa sai fora da realidade mas, principalmente, doenças como depressão, ansiedade e qualquer forma de sofrimento psíquico. Por isso, inadequadamente, ainda é uma especialidade associada especificamente aos quadros de “loucura” e, desta forma, passível de um preconceito que diminui as chances das pessoas se tratarem com o profissional mais habilitado para isso.

Quais fatores ameaçam a saúde mental?

Como a saúde mental é determinada por questões biológicas, ambientais e socioeconômicas, diversos fatores podem colocá-la em risco. Por exemplo:

  • desequilíbrios químicos no cérebro, sejam genéticos ou adquiridos ao longo da vida;
  • hábitos não saudáveis (como alcoolismo, tabagismo e até o sedentarismo);
  • trabalhos estressantes (dentro e fora de casa);
  • isolamento e/ou mudanças sociais (perda do emprego, fim de um relacionamento etc);
  • discriminações de gênero, raça, nível social, credo, características físicas;
  • características de personalidade;
  • dificuldades nos relacionamentos familiares e interpessoais.

Não dar a devida atenção a cada um desses fatores pode agravar, progressivamente, as condições de saúde mental e gerar cada vez mais complicações para a saúde das pessoas de maneira geral.

Quais são os riscos de não cuidar da saúde psíquica?

Descasos com a saúde mental podem levar a uma série de doenças. As patologias vão de distúrbios psicológicos e comportamentais, como a ansiedade e o estresse, a transtornos mentais mais graves e incapacitantes, como a depressão, o transtorno bipolar, a esquizofrenia, a dependência de álcool ou drogas, entre várias outras possibilidades.

Em todas elas, há um significativo grau de sofrimento e de prejuízo no funcionamento de diversas áreas da vida do paciente e também de toda a família, que muitas vezes acaba adoecendo junto pela dificuldade de compreender o que está acontecendo, de saber como ajudar e lidar com os efeitos impactantes da doença também na estrutura familiar.

Na hora de tratá-las, a escolha da assistência varia em função do grau de complexidade e resolubilidade de cada patologia. Por exemplo:

  • profissionais de atenção básica/clínicos gerais ou médicos de família: reações agudas ao estresse; depressão e ansiedade sem risco de morte ou de perda da autonomia; abuso de álcool e outras drogas; tabagismo; insônia.
  • especialistas em saúde mental/psiquiatras e psicólogos: transtornos psicóticos; depressão e ansiedade mais graves; transtorno bipolar; dependência química.
  • necessidade de encaminhamento ainda mais especializado, com probabilidade de internação hospitalar: quadros psicóticos descompensados, delírio ou confusão mental decorrentes de quadros orgânicos descompensados, como abstinência alcoólica grave, intoxicações exógenas, entre outras complicações.

Por que é importante manter o equilíbrio das saúdes?

A OMS define a saúde mental como “um estado de bem-estar no qual um indivíduo realiza suas próprias habilidades, pode lidar com as tensões normais da vida,  trabalhar de forma produtiva e é capaz de fazer contribuições à sua comunidade”.

Por isso, promover, proteger e restaurá-la são questões de primeira necessidade!  

Quais profissionais podem cuidar da saúde mental?

Inicialmente, pode-se começar com  uma consulta a um psicólogo, que poderá avaliar previamente as dificuldades relatadas pelo paciente e encaminhá-lo para o psiquiatra. Mas, além do trabalho do psicólogo e do psiquiatra, recomenda-se uma abordagem multidisciplinar, onde se possa levar em consideração também alimentação e hábitos saudáveis, assim como a auto-estima e auto-cuidados, focando nas relações pessoais e familiares para efetivamente cuidar da saúde psíquica dos pacientes.

Na medicina funcional, por exemplo, especialistas de diversas áreas trabalham junto ao paciente para encontrar e tratar as causas das doenças, oferecendo um tratamento personalizado em que o equilíbrio hormonal e nutricional são o foco dessa abordagem.

Além dessa ajuda especializada, há também o papel dos cuidadores, importante na evolução do paciente com perda de autonomia como nos quadros demenciais ou outros que incapacitam de forma mais definitiva, sempre lembrando que pessoas ligadas aos âmbitos familiar e social do indivíduo atuam como seu grande suporte ao longo do tratamento.

Para concluir, se algum familiar seu ou você está passando por alguma situação semelhante às que descrevemos aqui, procure ajuda profissional e receba o quanto antes aquilo que está precisando para sair desse contexto de sofrimento e angústia.

Diagnosticar as causas e iniciar o tratamento o mais cedo possível faz toda a diferença na sua qualidade de vida e na recuperação de sua saúde, felicidade e bem estar. Independente do que acham ou dizem as pessoas, há algo que só você pode fazer no que diz respeito à sua vida e à sua saúde! Não adie mais, comece já!

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Escrito por:
Dra. Armanda Rufino
CRM/SC 11.124 | RQE 5.359

Dra. Armanda Rufino é formada em medicina, especialista em psiquiatria e mestre em saúde mental, todos os títulos pela USP, e é preceptora da residência em psiquiatria do Hospital Universitário (UFSC). Atua com a Abordagem Sistêmico-fenomenológica, investigando a saúde dos relacionamentos. Saiba mais sobre a Dra. Armanda.

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