O que as infecções frequentes dizem sobre sua saúde?

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Entenda uma coisa sobre sua saúde: infecções frequentes não são normais! Muitas vezes, elas indicam a presença de doenças que, por sua vez, são indícios de problemas no sistema imunológico. Por isso, suas causas precisam ser investigadas a fundo. Tomar antibióticos indiscriminadamente, com o intuito de aliviar os sintomas mais incômodos, não apenas não resolve o quadro, como pode agravá-lo.

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Neste artigo, resolvemos abordar o que as infecções de repetição podem dizer sobre a sua saúde. Entenda a importância de diagnósticos bem feitos e veja como uma equipe multidisciplinar pode ajudar.

O que são infecções e o que as tornam crônicas?

Infecções são doenças provocadas por micro-organismos (bactérias, fungos, vírus e parasitas) que invadem os tecidos. Elas podem ser localizadas ou se disseminarem pelo corpo. Nesse caso, esses agentes podem:

  • produzir toxinas, enzimas ou outras substâncias que bloqueiem os mecanismos de defesa do organismo;
  • adquirir resistência aos antibióticos e outros medicamentos;
  • tirar proveito de alguma disfunção do sistema imunológico.

Quando o sistema imunológico deixa de combater os agentes infecciosos de forma eficiente, as infecções se tornam crônicas. E mesmo que não haja sintomas evidentes, elas debilitam o organismo, sendo causas frequentes da procura por atendimento médico.

O que infecções frequentes podem significar?

Em adultos, infecções do trato urinário, candidíase e herpes estão entre as mais comuns. Quando frequentes, sinalizam desequilíbrios na saúde do organismo.

Isso porque, apesar do sistema imune inato ou adquirido (ativado ao longo da vida, conforme o contato com agentes infecciosos) ser eficiente, certos fatores podem diminuir sua capacidade de proteção. São eles:

  • estresse crônico;
  • distúrbios do sono;
  • esgotamento físico;
  • consumo excessivo de álcool;
  • tabagismo ou uso de drogas;
  • alimentação baseada em ultraprocessados;
  • portadores de doenças autoimunes;
  • indivíduos em tratamento de câncer;
  • pessoas com imunodeficiências adquiridas (com HIV);
  • pessoas com imunodeficiências primárias (IDPs);
  • uso de imunossupressores, antibióticos ou corticoides;

 

Infecções frequentes podem ter origem genética?

Infecções frequentes podem indicar a presença de imunodeficiências primárias (IDPs). Nesse caso, tratam-se de doenças de origem genética (existem mais de 300 tipos) desencadeadas por falhas na produção de anticorpos — o que aumenta a susceptibilidade do portador a infecções. São sinais de IDPs em adultos:

  • 2 ou mais ocorrências de otites ou sinusites por ano (sem alergias);
  • 1 episódio de pneumonia anual;
  • diversas infecções virais (resfriados, herpes, verrugas etc) no mesmo ano;
  • abcessos (protuberâncias com pus) repetitivos na pele ou em órgãos internos;
  • candidíase persistente ou infecções fúngicas (em mucosas ou na pele);
  • infecção por micobactérias da tuberculose ou atípicas (não tuberculosas);
  • diarreia recorrente, com perda de peso importante; entre outros.

 

Já em crianças, são sinais de IDPs:

  • 2 ou mais pneumonias no mesmo ano ou asma grave;
  • 4 ou mais otites, por ano;
  • episódios repetitivos de candidíase ou estomatite por mais de 2 meses;
  • abcessos (outro tipo de protuberância com pus) repetitivos;
  • 1 episódio de infecção sistêmica grave (como meningite, septicemia, etc);
  • infecções intestinais frequentes ou diarreia crônica; entre outros.

Pacientes diagnosticados com IDPs costumam ser tratados com medicação. Mas a adoção de terapias complementares, por meio de uma abordagem multidisciplinar, realizada quando se encontram bem, também é importante. Aqui vale a máxima: prevenir é melhor que remediar!

Como prevenir o aparecimento de infecções?

As medidas que ajudam a afastar infecções são bem simples. Entre elas, destacam-se as tradicionais

  • lavar bem as mãos e manter a boa higiene pessoal;
  • fazer a profilaxia (uso de antibióticos para impedir que pacientes, em condições de vulnerabilidade, contraiam infecções oportunistas) para aquelas com as IDPs ou HIV
  • seguir o calendário de vacinação e as campanhas do governo, sobretudo de bebês, crianças e idosos.

E ainda: 

  • suplementar com vitamina D, A, ômega 3;
  • estilo de vida saudável;
  • uso de probióticos ( uso deve ser avaliado individualmente). 

Quais são os riscos de cuidados inadequados?

Sem cuidados adequados, infecções frequentes podem evoluir de forma grave e prolongada. Nesses casos, aumentam o risco de complicações e, consequentemente, de hospitalizações.

O uso indiscriminado de antibióticos, por exemplo, aumenta a resistência dos micro-organismos e ainda aumenta as chances de uma nova infecção.

Para evitar esse cenário, é preciso um olhar multidisciplinar para o quadro infeccioso. Afinal, a colaboração entre diferentes especialistas, regidos pela medicina funcional, permite definir não só a medicação (após exames clínicos, laboratoriais e investigação epidemiológica), mas também as terapêuticas complementares.

Assim, cuidar da saúde no dia a dia e identificar as causas de infecções frequentes, por mais complexo que os diagnósticos sejam, é a única forma de conseguir tratá-las adequadamente. Dessa forma, além de se livrar ou, pelo menos, aliviar os sintomas, minimizam-se os riscos de desenvolver quadros ainda mais sérios. Afinal, quanto mais tarde uma doença for identificada, maiores os prejuízos para a saúde. Por isso, não vacile e procure ajuda especializada!

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Escrito por:
Dra. Andrea Baumgarten
CRM 19.466 | RQE 14.022

Formada em medicina pela UFSC, é especialista em clínica médica, pelo Hospital Regional de São José, e concluiu sua formação em Medicina Funcional, pelo The Institute for Functional Medicine. Seu interesse é focado na atenção integral, no uso racional das medicações e no tratamento compartilhado entre paciente e médico. Saiba mais sobre a Dra. Andrea.