É possível curar o Alzheimer ?

O avanço da idade faz com que muitas pessoas tenham dificuldade para recordar detalhes do passado. Até aí, trata-se do processo natural de envelhecimento. Porém, como lidar com o declínio cognitivo e os lapsos de memória para fatos recentes? E com o esquecimento absoluto, que compromete o controle das funções mais elementares? Esses são alguns dos sinais que apontam o surgimento do Alzheimer, uma patologia degenerativa e que exige cuidados especiais.

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Para responder se é possível curar o Alzheimer, conversamos com a Dra. Andrea Baumgarten, médica especialista em clínica médica, certificada em medicina funcional pelo IFM (www.ifm.org) EUA,  da Clínica Aqua Vitae, em Florianópolis. Adiantamos: a medicina tem obtido resultados animadores na prevenção e reversão da doença. Continue a leitura para entender como os preceitos da medicina funcional beneficiam quem sofre do transtorno.

O que é a Doença de Alzheimer?

“O Alzheimer é uma doença de envelhecimento precoce e anormal do cérebro”, inicia a Dra. Andrea. A boa notícia é que é possível regredir a evolução dos sintomas até que, em alguns casos, seja possível curar o Alzheimer.

Quem constatou isso pela primeira vez foi o Dr. Dale Bredesen, criador do Protocolo ReCODE, um programa para prevenir e reverter o declínio cognitivo. De acordo com o especialista, o Alzheimer não é uma única doença e sim muitas. Portanto, o seu tratamento é focado em reequilibrar os problemas de saúde que contribuem com o desenvolvimento do Alzheimer.

Assim, a abordagem multidisciplinar e a atenção integral à saúde promovida pelos médicos funcionais associou-se muito bem à prática proposta pelo Dr. Bredesen. 

Incidência do transtorno

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 50 milhões de pessoas terão Alzheimer até 2050. Atualmente, a doença é responsável por mais da metade dos casos de demência em idosos.

No Brasil, 55 mil novos casos de demências, em média, são registrados anualmente — a maioria, decorrente do Alzheimer. No mundo, a cada três segundos um idoso desenvolve algum tipo de demência.

Estágios da doença

A partir do diagnóstico, o prognóstico de sobrevida varia de 8 a 10 anos. Nesse período, o quadro clínico passa por diferentes estágios:

  • fase leve ou inicial: perda de memória para fatos recentes, esquecimentos (de compromissos, contas a pagar etc), dificuldade no aprendizado de novas habilidades e prejuízos em relação à capacidade de executar tarefas, as quais era habituado;
  • fase moderada ou intermediária: confusão quanto ao dia da semana, dificuldades para realizar atividades simples, reconhecer locais pouco frequentados e familiares raramente vistos, bem como episódios de agitação e insônia;
  • fase avançada ou grave: além de não reconhecer pessoas nem objetos familiares, há um sério comprometimento cognitivo, com perda da habilidade de se comunicar com coerência, incontinência urinária e fecal, deficiência motora e dificuldade para se alimentar.

O próximo estágio é considerado terminal. Nele, o paciente fica restrito ao leito, sem falar e pode ter dores e infecções intercorrentes.

Mas segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), a divisão em estágios tem caráter meramente didático. Na maioria das vezes, os sintomas classificados em diferentes fases se mesclam.

Fatores diretamente relacionados

“O Alzheimer é causado por 37 fatores, que envolvem: o excesso de insulina,  a intoxicação crônica por metais pesados, a deficiência de hormônios importantes, a deficiência de micronutrientes como a vitamina B12, a depressão, o estresse crônico, algumas alterações genéticas conhecidas como a presença do APOE4 entre outros genes”, explica a especialista em clínica médica.

O envelhecimento é, também, um fator que deve ser observado. A partir dos 65 anos de idade, o risco de desenvolver demência dobra a cada 5 anos. Pessoas que têm familiares diagnosticados com Alzheimer têm maior propensão a desenvolvê-lo. Porém, a doença não é considerada hereditária. A exceção se dá em famílias onde o diagnóstico foi confirmado precocemente (antes dos 65 anos). Nesses casos, o fator genético é importante.

É possível curar o Alzheimer?

De acordo com a Dra. Andrea Baumgarten, é possível, sim, curar o Alzheimer. “Na realidade, depende de muitos fatores. Depende do momento em que foi diagnosticado, qual a causa, quão disposto o paciente está em mudar o estilo de vida e a se engajar no seu tratamento para evitar que o Alzheimer progrida”, detalha.

Assim, a medicina caminha a passos largos nesse sentido. Isso porque, boa parte dos elementos que previnem o aparecimento da doença são abordagens habituais para os médicos funcionais. São eles:

  • manter uma dieta rica em micronutrientes;
  • praticar atividades físicas regulares;
  • ser mentalmente ativo, por meio da estimulação cognitiva contínua e diversificada;
  • receber apoio psicossocial.
  • manter os níveis hormonais dentro do saudável
  • manter-se dentro do peso esperado, com uma composição corporal adequada.

Prevenção da doença

Eliminar os fatores de risco é a melhor prevenção para o Alzheimer. Com exceção da idade e da genética, a maioria deles pode ser modificada. Entre os mais comuns, destacam-se a hipertensão, o diabetes, a obesidade, o tabagismo e o sedentarismo. 

Sabe-se, também, que doenças neurodegenerativas podem estar ligadas à exposição a substâncias tóxicas.

Para combater esses fatores, vale a orientação de sempre: alimentação saudável, orgânica, livre de transgênicos e exercícios físicos. Mas, como mostrado, os cuidados não param por aí.

Por isso, médicos funcionais investigam o que pode ter levado ao quadro em cada paciente. A partir daí, focam em tratamentos personalizados e multidisciplinares, específicos para cada subtipo clínico.

Como é o tratamento atual?

O protocolo mais avançado para o Alzheimer visa prevenir o declínio cognitivo, o qual priva as vítimas de suas vidas muito antes de falecerem. Para isso, a medicina funcional passou a olhá-lo não como uma única doença, mas como um conjunto de doenças ligadas ao desequilíbrio de diversos fatores metabólicos.

Para reequilibrá-los, deve-se ajustar os níveis de micronutrientes e de hormônios, reduzir o estresse e melhorar a qualidade do sono. Enfim, adotar um estilo de vida mais saudável, sob a orientação de uma equipe multidisciplinar.

Assim, ainda que não seja possível curar o Alzheimer, é perfeitamente possível minimizar o sofrimento dos pacientes e de seus familiares. Tudo começa com uma maior preocupação com a saúde no dia a dia, passando pela eliminação dos fatores de risco e pelo controle das doenças associadas. Quanto mais individualizada a estratégia de tratamento, melhor para o paciente!

Esperamos que esse artigo tenha aumentado seu entendimento sobre o Alzheimer. Mas caso tenham restado dúvidas, sinta-se à vontade para enviá-las! As questões poderão ser abordadas pelos especialistas da Clínica Aqua Vitae em publicações futuras em nosso blog.

Escrito por:
Dra. Andrea Baumgarten
CRM 19.466 | RQE 14.022

Formada em medicina pela UFSC, é especialista em clínica médica, pelo Hospital Regional de São José, e concluiu sua formação em Medicina Funcional, pelo The Institute for Functional Medicine. Seu interesse é focado na atenção integral, no uso racional das medicações e no tratamento compartilhado entre paciente e médico. Saiba mais sobre a Dra. Andrea.