Como reduzir os impactos dos metais pesados na saúde

Minimizar os efeitos dos metais pesados é um dos motivos que levam muitas pessoas a procurar ajuda da medicina funcional. Não que alguém chegue no consultório suspeitando, em princípio, que seu corpo esteja com excesso de elementos tóxicos. O que os pacientes relatam são sintomas que, somente por meio de uma abordagem multidisciplinar, conseguem ser diagnosticados — comprovando, quase sempre, a relação com intoxicações do organismo.

Neste artigo, com colaboração da Dra. Andrea Baumgarten, médica funcional da clínica Aqua Vitae, entenda como diminuir o contato e, quando já ocorrido, o impacto desses metais no organismo. Siga as dicas e cuide da saúde da sua família!

O que são metais pesados?

Metais pesados são os elementos da Tabela Periódica com número atômico maior que 20. Como os humanos não conseguem sintetizá-los, são considerados tóxicos. Porém, os graus de toxicidade variam:

  • chumbo, cádmio, mercúrio, alumínio, arsênico e prata são considerados tóxicos em qualquer situação;
  • já o ferro, zinco, níquel, cobre e manganês são essenciais, mas, dependendo da concentração, também podem ser contaminantes.

Como se dá o contato com metais pesados?

Os metais pesados existem no meio ambiente, mas em baixas quantidades.

Na maioria das vezes, a intoxicação se dá por meio da ingestão ou da inalação ocorrida no dia a dia, pois eles aparecem onde menos se imagina. Por exemplo:

  • o alumínio está presente na água tratada, em latinhas, panelas, cosméticos e desodorantes;
  • o arsênico, na água contaminada e em esmaltes, tintas, tecidos, couro, inseticidas, medicamentos e peixes, arroz e frango.
  • o cádmio, no cigarro, produtos alimentares, baterias e pilhas recarregáveis;
  • o níquel, no óleo de cozinha, bijuterias e baterias de carros;
  • o mercúrio, obturações escuras e nos peixes, principalmente nos de maior porte como o atum;
  • o chumbo, em tintas, produtos para madeira, inseticidas, gasolina, produtos de beleza, etc.

Consequências para a saúde

Os metais pesados têm efeitos cumulativos no organismo, os quais se perpetuam por gerações. As intoxicações crônicas podem se manifestar de diversas formas. As mais comuns são:

  • doenças neurológicas, ligadas ao aparecimento de doenças como Alzheimer, Parkinson e o autismo
  • aumento de doenças alérgicas (como rinite e bronquite);
  • dermatoses (crises alérgicas que atacam a pele);
  • perda cognitiva, alterações de humor e cansaço;
  • disfunções gastrointestinais, falta de apetite e anemia;
  • alterações no metabolismo do cálcio (raquitismo) e osteomalácia;
  • disfunções pulmonares, renais e hepáticas;
  • deficiências na função reprodutora;
  • aparecimento de cânceres;
  • elevação do risco de problemas cardiovasculares e AVC;
  • problemas na tireoide, entre outras consequências.

Diagnóstico complexo

Alguns sinais e sintomas podem ser indicativos de acúmulo de metais pesados, como por exemplo:

  • existência de doença citada acima;
  • hipersensibilidade a odores (gás, perfume, tinta, café e álcool);
  • testes laboratoriais elevados para os metais (urina, sangue e até do cabelo);
  • histórico de excesso de medicamentos ou mesmo de vacinas;
  • uso de implantes metálicos ou amálgamas dentários.

Menos exposição

A melhor maneira de reduzir o contato com metais pesados é fazendo escolhas conscientes. Você pode:

  • dar preferência a alimentos orgânicos e bem variados;
  • evitar preparos à base de soja e milho, pois o glifosato (herbicida que carreia metais pesados) é amplamente utilizado nesses cultivos;
  • evitar alimentos acondicionados em latinhas;
  • evitar peixes como atum e frutos do mar, como ostras;
  • trocar panelas de alumínio por inox, cerâmica ou vidro e eliminar o papel alumínio;
  • optar por pastas de dente em tubos de plástico, não de metal;
  • não usar recipientes cerâmicos pintados com tintas com chumbo;
  • não utilizar desodorantes com sais de alumínio;
  • substituir os amálgamas por restaurações inócuas;
  • usar um filtro adequado, que retire tudo ou parte dos metais (melhor técnica é a osmose reversa, pouco disponível no Brasil ainda);
  • não fumar e levar um estilo de vida saudável.

Como eliminar metais pesados do organismo?

Dra. Andrea explica que o organismo tem capacidade de metabolizar mais de 200.000 substratos, incluindo xenobióticos (substâncias estranhas). Porém, a disbiose intestinal (desequilíbrio na flora bacteriana) interfere na capacidade de eliminá-las.

“Para favorecer o trânsito intestinal, além de evitar o uso de antibióticos, anti-inflamatórios e corticóides, bem como reduzir o estresse, uma boa dica é consumir 2 colheres (por dia) de uma mistura de chia, psylium e farelo de aveia”, ensina. Outras medidas que ajudam o corpo a eliminar os metais pesados naturalmente são:

  • ingerir alimentos com poderes terapêuticos, como coentro e chlorella (um tipo de alga, vendido em cápsulas ou pó);
  • fazer atividades físicas regulares que promovam o suor ou sessões de sauna, se preferir.

Assim, é importante se esforçar para reduzir os efeitos dos metais pesados no organismo — os quais, como mostrado, podem provocar intoxicações e doenças sistêmicas. Mas considerando o quanto eles estão presentes no dia a dia, procure a orientação de especialistas para se certificar de que está tomando todos os cuidados. Contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar é a melhor maneira de se desintoxicar!

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Escrito por:
Dra. Andrea Baumgarten
CRM 19.466 | RQE 14.022

Formada em medicina pela UFSC, é especialista em clínica médica, pelo Hospital Regional de São José, e concluiu sua formação em Medicina Funcional, pelo The Institute for Functional Medicine. Seu interesse é focado na atenção integral, no uso racional das medicações e no tratamento compartilhado entre paciente e médico. Saiba mais sobre a Dra. Andrea.