Como é o tratamento muldisciplinar das doenças autoimunes?

O tratamento multidisciplinar de doenças autoimunes combina a participação de diversos especialistas para alcançar um objetivo comum: melhorar a qualidade de vida do paciente. Tal abordagem é essencial, visto que essas patologias são associadas a múltiplos fatores, não tendo uma origem ou manifestação única. 

Por isso, a abordagem multidisciplinar tem mostrado ser mais eficiente para aliviar sintomas e prevenir complicações das doenças autoimunes do que apenas o tratamento com medicamentos. 

Neste artigo, a Dra. Andrea Baumgarten, médica clínica da Aqua Vitae, conta como a medicina funcional tem contribuído com o diagnóstico e tratamento de doenças autoimunes, tornando esse processo muito mais eficaz!

Ouça este conteúdo:

O que são doenças autoimunes?

Doenças autoimunes são aquelas em que o sistema imunológico ataca órgãos e tecidos saudáveis, por meio da produção de autoanticorpos. A maioria dessas enfermidades é crônica, ou seja, dura por muitos anos. 

Estas doenças tem se tornado cada vez mais comuns no nosso meio de vida, e, a cada ano, temos mais pesquisas que apontam todos os fatores envolvidos no seu surgimento.  Entre as mais comuns, destacam-se:

  • tireoidite de Hashimoto;
  • artrite reumatoide;
  • diabetes tipo I;
  • Doença de Crohn;
  • esclerodermia;
  • esclerose múltipla;
  • espondilite anquilosante (EA);
  • lúpus eritematoso sistêmico (LES);
  • síndrome de Guillain-Barré;
  • vitiligo.

“O tratamento multidisciplinar para uma doença autoimune passa, primeiramente, pelo médico. A partir do diagnóstico, consegue-se identificar os fatores que a desencadeia”, afirma a especialista Andrea Baumgarten. Para elaborar os diagnósticos, os médicos costumam solicitar marcadores de autoimunidade no sangue. 

Quais são as principais causas das doenças autoimunes?

Assim como a grande maioria das doenças crônicas, elas acontecem por haver uma predisposição inicial, associada a alguns fatores mediadores (como, por exemplo, o estresse, a privação de sono, deficiências nutricionais, intoxicações crônicas, etc), até que acontece um evento estressor maior que sobrecarrega o sistema imunológico de tal forma que leva a uma desregulação conhecida como doença autoimune. Por exemplo, sabemos  que a deficiência de vitamina D no ambiente gestacional, pode aumentar as chances da criança ter doenças auto-imunes na maturidade ou na infância. 

E quais são estes gatilhos conhecidos?

  • alimentação rica em alimentos inflamatórios (leite e derivados, glúten, alimentos industrializados, açúcares, bebidas industrializadas, etc)
  • infecções virais ou por bactérias;
  • exposição a determinados produtos químicos;
  • estresse emocional posterior a um evento traumático;
  • medicamentos;
  • hábitos que favorecem processos inflamatórios, como consumo de álcool, tabaco e drogas.

Assim, ainda que fatores hereditários predisponham algumas pessoas às doenças autoimunes, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla é preciso que um fator externo deflagre-a. Por exemplo: na doença celíaca, trata-se da alimentação (intolerância ao glúten); na artrite reumatoide, o tabagismo é um fator importante, e assim por diante. 

O importante é entendermos que é como um copo que vai enchendo com o passar dos anos, e um determinado momento, o copo transborda. Ou seja, os hábitos nocivos, o estresse vão se acumulando até um evento final que deflagra a doença. 

Quais especialidades médicas tratam doenças autoimunes?

Não existe um especialista em doenças autoimunes, pois cada patologia ataca o organismo de uma maneira, permeando diversas áreas da medicina. Porém, a boa notícia é que os sintomas podem ser controlados e, em alguns casos, revertidos

Alguns dos médicos mais presentes nos tratamentos multidisciplinares de doenças autoimunes são:

  • clínico geral, de preferência com especialização em Medicina Funcional ou em Medicina Integrativa;
  • reumatologista, ortopedista e/ou fisioterapeuta, importantes para preservar a autonomia do paciente (como no tratamento da artrite reumatoide e do lúpus);
  • acupunturista, para ajudar a diminuir os sintomas mais comuns (como dor e restrição dos movimentos);
  • psicólogo e/ou psiquiatra, para ajudar a controlar a ansiedade e uma possivel depressão
  • endocrinologista, quando há o comprometimento da glândula tireóide;
  • dermatologista, para tratar sintomas manifestados na pele (como em casos de esclerodermia e lúpus);
  • gastroenterologista, quando há o acometimento de órgãos ligados ao sistema digestivo;
  • nutricionista, importante para orientar a alimentação. No caso de pacientes com artrite reumatoide, por exemplo, uma dieta adequada ajuda a diminuir a inflamação e melhora a eficácia do tratamento. Já para celíacos, indica-se a reeducação alimentar não apenas do paciente, mas da família (por conta do risco de contaminação cruzada).

Como a medicina funcional aborda as doenças autoimunes?

Dra. Andrea, que possui formação em Medicina Funcional pelo IFM, explica que o médico funcional sempre olha para o paciente de maneira integral e considera diferentes fatores para traçar a estratégia de tratamento. 

“Como essas doenças são, comumente, muito relacionadas a deficiências nutricionais, é necessário consultar um nutricionista para iniciar uma dieta balanceada. Já um psicólogo ou um psiquiatra podem ajudar em momentos de maior estresse”, exemplifica.

Assim, o médico funcional e a equipe de especialistas — que varia conforme o diagnóstico de cada indivíduo — são essenciais para promover o tratamento das doenças autoimunes. Uma abordagem bem-feita evita que os sintomas reapareçam com tanta frequência e, consequentemente, melhora a qualidade de vida dos pacientes!

Se você está em busca de resultados satisfatórios para cuidar da sua saúde, conheça mais afundo os alcances da medicina funcional — abordagem indicada para todos os tipos de patologias e para prevenir que elas não surjam!

Escrito por:
Dra. Andrea Baumgarten
CRM 19.466 | RQE 14.022

Formada em medicina pela UFSC, é especialista em clínica médica, pelo Hospital Regional de São José, e concluiu sua formação em Medicina Funcional, pelo The Institute for Functional Medicine. Seu interesse é focado na atenção integral, no uso racional das medicações e no tratamento compartilhado entre paciente e médico. Saiba mais sobre a Dra. Andrea.