Câncer de próstata: uma abordagem integral de suas causas e prevenção

Você sabe o que causa o câncer de próstata

Neste artigo, mostramos como a medicina sob um olhar integral ajuda a prevenir o aparecimento do câncer. Você verá que até as escolhas básicas, como se decidir entre um grelhado e um assado, têm consequências que não podem ser negligenciadas!

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O que é o câncer de próstata?

A próstata é um órgão masculino responsável por produzir parte do líquido seminal, essencial para sobrevivência dos espermatozoides. O câncer de próstata se desenvolve quando as células deste órgão perdem a capacidade de auto checagem e a próstata deixa de perceber que produziu células modificadas, ou em termos técnicos, células mutadas geneticamente. 

Normalmente, em condições de saúde, temos em nossas células, “guardas” (proteínas como o P53) do DNA, que percebem que produzimos uma célula mutada geneticamente. Quando o corpo não encontra-se em condições de saúde, ele deixa passar estas alterações e assim, se produz um câncer. 

Há diversos fatores que também podem “estressar”  nosso DNA, fazendo com que eu produza muitas alterações, e mesmo tendo bons “guardas”, eles não dão conta da grande demanda. 

E o que pode estressar meu DNA? De forma muito generalista, podemos dizer que a inflamação gera este processo. E esta inflamação pode ser secundária a infecções virais, a radicais livres dispersos no corpo e variações hormonais. 

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima o aparecimento de 68.220 novos casos da doença, anualmente, no Brasil. Trata-se do segundo tipo mais prevalente, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma.

É considerado um câncer da terceira idade, pois 75% dos diagnósticos ocorrem a partir dos 65 anos. Na maioria das vezes, ele evolui de maneira lenta e silenciosa, sem provocar sintomas. Em outras, pode se espalhar rapidamente e matar. Portanto, a melhor maneira de preveni-lo é com hábitos diários para evitar seu desenvolvimento e um diagnóstico tardio.

 

É possível detectá-lo precocemente?

Sim. Quando o tumor é diagnosticado precocemente, são grandes as chances de remissão. A detecção pode ser feita por:

  • exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos;
  • pela existência de sinais sugestivos (dificuldade para urinar, sangue na urina etc), ainda que não sejam, necessariamente, causados pelo câncer;
  • por exames periódicos (toque retal e dosagem de PSA), usados para o rastreamento em pessoas com propensão à doença.

O toque retal e a dosagem de PSA são feitos de maneira combinada, porém, não têm 100% de precisão. A biópsia de uma amostra de tecido da próstata é a única técnica capaz de confirmar a doença. Porém, a o médico só faz o ultrassom após os dois primeiros estarem alterados. 

Quais são as principais causas e como preveni-lo?

Os fatores de risco para o câncer de próstata são muitos, e tem a ver tanto com a genética do indivíduo como com seus hábitos de vida. Quanto mais fatores presentes, maior o risco de desenvolver a doença.

Conhecer as possíveis causas e, quando possível,  adotar hábitos preventivos, é a melhor forma de afastá-la. Abordando o problema a partir da ótica da medicina funcional, cuida-se não apenas do câncer, mas de tudo o que possa estar envolvido no seu desenvolvimento. 

Falamos antes que tudo que aumenta a inflamação do corpo ou da próstata pode levar a reações inflamatórias e estressar o DNA, assim, os principais fatores de risco são: 

  • a idade avançada (a partir dos 65 anos);
  • a tendência familiar (parentes de primeiro grau que tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos);
  • a má alimentação, como falta de alimentos antioxidantes e ricos em alimentos oxidantes (especialmente os industrializados, açucarados e ricos em gordura hidrogenada) deixa o DNA vulnerável; 
  • o excesso de gordura corporal ou um quadro já considerado como obesidade;
  • a exposição prolongada a produtos tóxicos (como agrotóxicos, fuligem, etc).

Como um médico funcional pode ajudar?

O médico funcional conta com o apoio de uma equipe multidisciplinar e ensina o paciente a prestar atenção nas escolhas do dia a dia. A alimentação, por exemplo, é o elemento mais empregado para estabelecer padrões de saúde ou doença.

Sabe-se que sobrecargas calóricas ou inflamatórias predispõem ao câncer. Enquanto alimentos com alto índice glicêmico levam ao aumento da hiperlipidemia, acelerando a multiplicação das células, o consumo excessivo de gorduras saturadas eleva as inflamações.

Já frutas, verduras e legumes coloridos, preferencialmente orgânicos, têm poucas calorias e permitem controlar os mecanismos inflamatórios. Os vegetais crucíferos, como a couve, o brócolis e o repolho, têm um destaque no combate ao câncer. Eles são ricos em uma substância, o glicosinolato, que tem potencial anticancerígeno.  

Quando quiser comer carnes, evite preparos fritos, grelhados ou churrascos. Por conta das temperaturas muito altas, criam-se compostos cancerígenos em suas superfícies. Prefira carnes assadas ou cozidas.

O controle do estresse é outro fator observado pela equipe coordenada pelo médico funcional. Práticas que beneficiam a saúde mental, voltadas para a integração entre a mente e o corpo, como o mindfulness (técnica de meditação voltada à atenção plena), também atuam na prevenção.

Assim, a medicina funcional propõe que não apenas a escolha do tratamento para o câncer de próstata (cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, entre outros) seja individualizada, mas também as estratégias preventivas, elaboradas por uma equipe multidisciplinar (com médico, nutricionista, psicologo, etc). Ao mesmo tempo, os especialistas estimulam a participação do paciente no seu tratamento, fazendo com que ele assuma a responsabilidade pela própria saúde.

 

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Escrito por:
Dra. Andrea Baumgarten
CRM 19.466 | RQE 14.022

Formada em medicina pela UFSC, é especialista em clínica médica, pelo Hospital Regional de São José, e concluiu sua formação em Medicina Funcional, pelo The Institute for Functional Medicine. Seu interesse é focado na atenção integral, no uso racional das medicações e no tratamento compartilhado entre paciente e médico. Saiba mais sobre a Dra. Andrea.